28.12.09

Domingo lá

Domingos com a Marina são bons. Ela é como uma irmã mais nova e um semestre inteiro ouvindo seus relatos sobre a tal Praça do Doce e a rua dos bares só tornou urgente uma visita àquela cidade. O trem saía às 13hrs, mas como de costume, cheguei atrasada. Fiquei feliz em saber que o vagão ainda estava lá, com as portas abertas, quase que me esperando. A minha falta de experiência com trens avisou que o melhor era procurar um lugar qualquer para se sentar, e rápido. Quando me acomodei percebi que estava vazio demais para tanta prudência e tirei Cortázar da mochila. Aquela nouvelle me encanta a ponto de adiar seu término; algumas obras são assim, penso. Quando o verde tomou conta da paisagem e a voz anunciou “Ribeirão Pires” fiquei aliviada em saber que poderia esticar as pernas. Marina já esperava na saída da estação e com o sorriso de sempre, sincero. Alguns passos e já conhecia a cidade toda. Um bar em que tudo é permitido, com pessoas simpáticas e cheias de histórias engraçadas foi a nossa primeira parada. Algumas estatísticas são evidentes por lá, fiquem sabendo. Já tinha sido avisada de um sarau na rua de cima, convidada a participar preferi me acomodar como ouvinte. Começou a chover, mas o canto daquela moça dissipou tudo por algum tempo. Saímos e veja só, a neblina já era visível. “Onde é o ponto mais alto daqui?”, perguntei. “Minha casa”, ela disse. A Marina mora em um bosque. Tudo muito bonito por lá, e até os pássaros me agradam. Não é tão fácil tocar Beatles com a Chica (minha gaita), e sabemos que “Love me do” ainda é algo a ser alcançado.

3 comentários:

Marina disse...

Ahhh! Muitos domingos virão..

João disse...

Tava gostando da sua prosa e pareceu me lembrar alguma coisa. Não sei se é Cortásar, mas cê falou dele então pensei que lembra, talvez, Bioy Casares, no tom da descrição. Não é bem ele também. Enfim, sua escrita é bem concisa e simples, achei boa de ler, por isso, talvez, como diz Borges, que tudo que se escreve lembra alguma coisa que já foi escrita. Sei lá. Gosto de que a vida pareça literatura.

wutzki in the sky disse...

minha mãe :)