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28.9.08

sem título

Andar de ônibus é tentador. 42 divãs prontos para qualquer explanação, sua e dos outros. Não é preciso verbalizar o íntimo, basta observar. Pálpebras oscilando, mãos nervosas, corpos jogados no espaço itinerante. A vida parou e não foi o automóvel.

25.8.08

lembrete

Um dia acordei cedo e encarei a porta. Uma mancha branca tomou conta de tudo, fusão. Paredeporta, portaparede. Teimei com o contorno da madeira pintada, mas o sono ofendido impôs sua vontade, melhor obedecer. Nunca mais esqueça seus óculos no banheiro, Brunna.

9.8.08

Elas

As ruas passam e elas dançam no ar. Movimento contínuo e descontraído. Pêndulo. Vez ou outra esbarram no jeans escuro da calça e, quase parando, retomam a série. Sinal vermelho, agora são os dedos que cutucam o tecido, ansiosos. O calcanhar esquerdo acompanha os toques e os lábios resmungam o frio da cidade. Recomeça a estranha coreografia condicionada pela brisa, que insiste em desafiar o ir e vir. Garoa fina. Os pés apressados saltam a calçada esburacada, parando por alguns instantes o movimento no ar. O ritmo desacelera, o pêndulo descansa. Pausadas na mesa, aguardam a bebida quente. Pronto, chegamos.